Advogadas e advogados de diferentes regiões do país participaram de deliberação inédita sobre os impactos, desafios e oportunidades da inteligência artificial no exercício profissional
Como a inteligência artificial já está transformando a advocacia? Quais limites éticos devem orientar seu uso? Quem responde por eventuais erros cometidos com o auxílio dessas ferramentas? E qual deve ser o papel da OAB diante dessa nova realidade?
Essas foram algumas das questões que estiveram no centro da segunda etapa da pesquisa sobre inteligência artificial na advocacia brasileira, realizada nessa sexta-feira (14/8) pela OAB Nacional, pela Universidade de Stanford, por meio do Deliberative Democracy Lab, e pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).
Realizada em formato virtual, a iniciativa reuniu advogados e advogadas de diferentes regiões do país, selecionados para representar a diversidade da advocacia brasileira, além de especialistas em Direito, tecnologia, inteligência artificial, governança e proteção de dados.
Nesta etapa, os participantes foram além das respostas ao questionário inicial: puderam compartilhar experiências, apresentar dúvidas, confrontar diferentes perspectivas e discutir situações que já fazem parte da realidade profissional diante do avanço da inteligência artificial.
Advocacia no centro do debate
A programação foi organizada em três grandes eixos. O primeiro abordou advocacia digital, uso de tecnologia e inteligência artificial, responsabilidade e supervisão profissional.
Na sequência, as discussões se concentraram em ética profissional no ambiente digital, marketing jurídico, proteção de dados e sigilo profissional. O terceiro eixo tratou de segurança da informação e infraestrutura, capacitação e desenvolvimento profissional, regulação e governança da advocacia digital.
Os debates seguiram a metodologia de pesquisa deliberativa desenvolvida pelo Deliberative Democracy Lab de Stanford. O modelo propõe que os participantes tenham acesso a informações sobre os temas em discussão, conversem em pequenos grupos, formulem suas próprias perguntas e dialoguem diretamente com especialistas.
De acordo com a equipe da pesquisa, a metodologia já foi aplicada mais de 150 vezes em mais de 50 países e jurisdições, permitindo a análise de como informação, diálogo e reflexão podem contribuir para a construção de percepções sobre questões complexas.
Mais de 500 profissionais selecionados
Mais de 500 advogadas e advogados foram selecionados para representar a advocacia brasileira nesta etapa da iniciativa. A pesquisa busca compreender a prática jurídica em um cenário de transformação digital, especialmente o uso, os impactos e a governança da inteligência artificial em escritórios de advocacia e instituições jurídicas.
Ao final da deliberação, os participantes responderam a um novo questionário. A etapa permitirá à equipe de pesquisa analisar as percepções e os posicionamentos após uma jornada de informação, reflexão, troca de experiências e diálogo entre profissionais de diferentes realidades.
As contribuições reunidas ao longo da pesquisa integram o trabalho conduzido pelo Deliberative Democracy Lab da Universidade de Stanford, em parceria com a OAB Nacional e o IDP, e poderão subsidiar a construção de futuras diretrizes para a advocacia diante das transformações provocadas pela inteligência artificial.
Resultados serão apresentados em Brasília
Os resultados da pesquisa serão apresentados no Fórum Nacional de Inteligência Artificial na Advocacia, que será realizado no dia 24 de agosto, às 19h, no Auditório da OAB-DF, em Brasília.
O encontro reunirá especialistas nacionais e internacionais para aprofundar o debate sobre inteligência artificial, inovação, ética, governança e transformação digital na advocacia, conectando os resultados da pesquisa aos desafios concretos enfrentados pela profissão.
A iniciativa integra o movimento da OAB Nacional para preparar a advocacia para um cenário de rápidas transformações tecnológicas, ampliando o diálogo sobre o uso ético, seguro, responsável e acessível da inteligência artificial no exercício profissional.
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